domingo, 6 de novembro de 2011

A crença em Deus pode resultar em duas maneiras distintas de influência no comportamento, segundo estudo americano


Ser lembrado do conceito de Deus pode diminuir a motivação das pessoas para perseguir seus objetivos pessoais, mas pode também ajudá-las a resistir as 'tentações' (comportamentos disfuncionais), de acordo com estudo publicado no site da Associação Americana de Psicologia.
"Cerca de 90% das pessoas no mundo concordam que existe um Deus ou um poder espiritual semelhante", disse o principal autor do estudo, Kristin Laurin, PhD, da Universidade de Waterloo no Canadá. “Esta é a primeira evidência empírica de que o simples ato de lembrar-se de Deus pode diminuir alguns tipos de auto-regulações, como a realização de objetivos e pode melhorar outras, como resistir as 'tentações'".
A pesquisa foi realizada em 353 estudantes universitários dos quais 186 eram mulheres, com idade média de 19 anos, no qual todos participantes realizaram 6 experimentos para tentar determinar a influência da idéia de Deus na motivação das pessoas, mesmo entre aqueles participantes que não eram religiosos.
Em um dos experimentos mais significantes, os participantes foram convidados a formar frases gramaticalmente corretas usando um grupo de palavras; para alguns estudantes foram fornecidas palavras como Deus e palavras relacionadas (divino, sagrado, espírito), enquanto isso outros participantes receberam grupos de palavras neutras (mesa, pista, caixa). Em seguida, cada aluno teve de formar quantas frases lógicas pudessem ser feitas no período de cinco minutos.
Os Pesquisadores determinaram o nível de motivação dos alunos pelo número de frases produzidas e pela qualidade delas, antes de entregarem o grupo de palavras para cada aluno foi informado que um bom desempenho naquele teste evidenciava um bom sucesso na carreira.
Várias semanas antes desta experiência, os estudantes tinham sido perguntados se eles acreditavam que fatores externos (outras pessoas, seres, forças além de seu controle) tinham influência em suas carreiras. Entre os participantes que disseram que fatores externos, como Deus podem influenciar o seu sucesso na carreira, foram aqueles relacionados com o pior desempenho no teste, comparado com aqueles que não consideravam ou acreditavam nesses fatores.
Um segundo conjunto de experimentos olhou para a habilidade dos participantes para resistir a uma 'tentação' depois de ser lembrado sobre Deus. Em um estudo, sobre a qualidade da alimentação dos participantes, aqueles que em um teste precisavam se alimentar, quando eram lembrados de passagens de livros sagrados sobre a alimentação e a solidariedade, comiam menos que os participantes que não eram lembrados a respeito.
Os participantes que leram uma curta passagem da bíblia relataram maior vontade de resistir às tentações para atingir um objetivo importante, como manter um peso saudável, encontrar uma relação de longo prazo ou de ter uma carreira de sucesso.
 Este efeito foi encontrado apenas entre os participantes que haviam dito anteriormente que eles acreditam que uma entidade onisciente agia sobre eles e os repreendiam quando se comportassem de forma irregular.
O nível de devoção dos participantes religiosos não teve impacto sobre os resultados em qualquer um dos experimentos, de acordo com os pesquisadores.
Fonte: APA

Sonhadores lúcidos e ressonância magnética funcional oferecem uma ‘janela’ para os sonhos


Com a ajuda de 'sonhadores lúcidos' - pessoas que se tornam conscientes de seu estado de sonhar e são capazes de alterar o conteúdo de seus sonhos - os cientistas do Instituto Max Planck de Psiquiatria, em Munique, na Alemanha, foram capazes de mensurar o conteúdo dos sonhos e identificar a área cerebral ativada.
A ressonância magnética funcional (RMf) permitiu aos cientistas do Instituto visualizar e identificar a localização precisa da atividade cerebral durante o sonho, mas somente foram capazes de analisar a área específica associada ao conteúdo do sonho quando existe uma coincidência temporal entre o conteúdo do sonho e a mensuração da área.
O procedimento do novo estudo convidou sonhadores lúcidos a tomar consciência de seu sonho enquanto dormiam, enquanto isso passavam por um escaneamento RMf e deveriam relatar o seu estado de lucidez aos pesquisadores através de movimentos oculares. Isso também permitiu os pesquisadores medirem a entrada em sono REM - fase em que os sonhos são percebidos de forma particularmente intensa- e com a ajuda de um eletroencefalograma (EGG) do indivíduo que sonhava detectar o início da fase lúcida.
Um dos sonhadores pesquisados pelo estudo sonhou com os punhos cerrados (muito contraídos, apertados) e relatou isso aos pesquisadores, nesse momento através da ressonância magnética os pesquisadores localizaram uma região no córtex sensório-motora que foi ativada.
 A região encontrada é responsável pela execução dos movimentos, e foi realmente ativada a partir do momento que o paciente relatou o seu sonho, sendo diretamente comparável com a atividade cerebral que surge quando existe um movimento real. Mesmo que o sonhador lúcido somente imagine o movimento da mão, o córtex age de maneira similar quando está acordado "Com esta combinação de EEGs durante o sono, métodos de imagem e sonhadores lúcidos, podemos medir não apenas movimentos simples durante o sono, mas também os padrões de atividade no cérebro durante o sonho e as percepções visuais", disse Martin Dresler, Ph.D.,e um dos pesquisadores do estudo.
Os pesquisadores foram capazes de confirmar os dados obtidos utilizando ressonância magnética em outro assunto sonhado usando também uma tecnologia diferente. Com a ajuda da espectroscopia infravermelha também observaram aumento da atividade em uma região do cérebro que desempenha um papel importante no planejamento de movimentos.
"Nossos sonhos não são, portanto, um ‘cinema do sono’, em que observamos, meramente, um evento de forma passiva, mas envolvem a atividade nas regiões do cérebro que são relevantes para o conteúdo do sonho", explica Michael Czisch, líder do grupo de pesquisa no Instituto.

Baixo nível de um neurotransmissor está ligado à impulsividade, explica pesquisa.

Indivíduos impulsivos frequentemente exibem comportamentos agressivos e se propõem a realizar vários comportamentos desafiadores, como o abuso de álcool e outras drogas, além de problemas nos relacionamentos afetivos. O estudo liderado por Frederic Boy mostra que essas 'pessoas impulsivas' reagem desta maneira, em parte, porque elas têm níveis mais baixos do neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico).
O GABA é um neurotransmissor inibitório muito importante para uma parte específica do cérebro que atua no autocontrole. "Avanços nas técnicas de imagem cerebral permitem que sejamos capazes de investigar áreas diferentes e específicas do cérebro humano e ver como eles (os neurotransmissores) regulam o comportamento das pessoas”, disse Frederic.
Os pesquisadores convidaram um grupo de 'pessoas impulsivas' para participar da pesquisa, sendo que todos deveriam responder a um questionário que avaliava os diferentes aspectos da impulsividade. Em seguida, eles foram submetidos a uma técnica de imagem cerebral (espectroscopia por ressonância magnética) para a medição da quantidade de GABA em certas regiões cerebrais. Entre esse grupo de pessoas analisadas haviam indivíduos sem história de distúrbios psiquiátricos ou dependência de drogas.
Os investigadores descobriram que indivíduos com mais GABA em sua área pré-frontal do cérebro tiveram escores mais baixos em um aspecto da impulsividade que foi chamado de "sentimento de urgência" - a tendência a agir impulsivamente em resposta a angústia ou outras emoções fortes.
Por outro lado, aqueles com menor GABA nessa área tendem a ter escores mais elevados no aspecto de urgência. Estes resultados adicionam à evidência de que "GABA baixo pode ser um fator de risco para a disfunção cortical através de uma série de distúrbios, como depressão e transtorno do pânico que estão associados com baixo nível de GABA cortical", comentou o Dr. John Krystal, editor da Biological Psychiatry, que publicou a pesquisa.
Os autores dizem que o próximo componente da investigação incidirá na compreensão da relação entre GABA e o córtex pré-frontal. "Depois dos próximos estudos é que nós poderemos começar a avaliar se há alguma maneira pela qual poderíamos tratar um déficit de GABA nesta área. Eu suspeito que isso poderia ser difícil, já que o GABA está presente em todo o cérebro, elevar o nível de forma indiscriminada pode ter todos os tipos de conseqüências imprevisíveis ", disse Boy.
"Outra área que precisa de mais pesquisas é saber se os níveis de GABA no córtex pré-frontal flutuam ao longo do tempo, já que este estudo é simplesmente instantâneo e com níveis de um determinado dia."